Cada coisa em seu indevido lugar,
finalmente um recomeço de nada.
A trama da vida deu nó, embolada,
enquanto tentava não se afogar.
O senso virou humor quando a razão,
enfeitiçada em seu próprio encanto,
quis dispensar o saber do coração
pronta a ditar regras em todo canto.
Antes nunca do que tarde, o alarde
gritou sinal a bandeira nacional:
acorde que a ordem virou carnaval
antes do tal progresso ser verdade.
O que importa é jamais faltar rede
onde eu me achegue nessa terra.
Quero um coco para matar a sede
enquanto finjo ser paz o que é de guerra.
Passa-se falta de índio nessa tribo.
Quando todo mundo quer ser cacique
o bem comum se perde em trambique
e a vida é miséria de todo tipo.
Talvez se Deus nos desse um país feito de Lego
a gente pudesse encaixar as peças pra montar...
A verdade é que se um povo tornou-se cego
somente dando as mãos pode se reencontrar.
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