Todo povo tem seus deuses em suas catedrais,
algumas têm vitrines, outras têm vitrais,
imagens de ídolos e santos, mortos e imortais,
fiéis piedosos a repetir preces devocionais.
Eis que o largo fez-se praça de alimentação,
o céu estralado, luminárias artificiais,
pipoqueiro, meras franquias colossais.
a oferecer não o nosso, nem apenas pão.
Vendedores, os sacerdotes do consumo,
dispostos a aliviar nossa consciência
do pecado de comprar mesmo sem ter uso,
divina providência da pronta conveniência.
Deverás pagar o dízimo do cartão de crédito,
senão serás lançado no inferno do SPC,
de onde só sairás se quitares todo débito,
acrescido de multa, juros e algumas sei lá o que.
Mas um dia virá a fatídica fatura final,
abri-se-á o sigilo de toda conta bancária,
saberemos quem é rico ou pobre, bom ou mal,
e seremos todos apenas adubo de braquiária.
1 comentários:
Olá Rodriguinho!
interessante o poder de sedução que esses deuses tem sobre os seus seguidores...
Excelente reflexão
Parabéns!
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